Brincando de viver.

Acordar é difícil.  Muitas vezes nossas cabeças pesam, nossos corpos reclamam e nossos olhos teimam em continuar fechados.  Existe algo, porém, que nos traz novamente à vida acordada e não nos permite mais dormir — independente do sonho que estivessemos tendo.

Às vezes dormimos acordados.  Algumas dessas vezes temos pesadelos que duram dias, meses e anos.  Outras vezes, temos sonhos felizes e tranquilos.  Olhamos para nossas memórias e percebemos que a vida vai passando como um sonho, memórias quase apagadas, no limiar da existência.  Isso é muito difícil.  O mais difícil, no entanto, é perceber que, apesar de nosso corpo estar acordado, nossa “alma” está adormecida e perdida em sonhos fugazes.  Uma hora ou outra os olhos abrem-se, a luz toma conta de nossa mente e toda a realidade onérica do sonho se desfaz.

É nesse momento que se começa a construir a realidade, é quando se brinca de viver.  Acordar é difícil, mas viver no sonho é olhar para trás e perceber que seus melhores amigos, seus brinquedos e seus temores foram somente ilusões.  Ao acordar, se destrói o sonho e se reconstrói a realidade.

Esse post é o primeiro do novo blog: Tear Down and Rebuild.  Por favor, acompanhem lá a reconstrução de uma identidade. http://teardownandrebuild.wordpress.com/2012/04/07/brincando-de-viver/

E eu, logo eu, descobri que sou o Frodo

Durante toda minha vida eu achei que era o Sam do Senhor dos Anéis. Sempre quis ser o Sam. Ele é meu herói. Não existiu nem existirá herói de fantasia como o Sam. Ele é gentil o bastante pra reconhecer sua pequenez e ao mesmo tempo é forte pra aceitar grandes fardos e desafios. Ele é aquele que carrega o mestre a que ama quando esse não pode mais continuar. É Sam o grande herói do Senhor dos Anéis.

Para você, leitor, entender o que estou dizendo, vou transcrever aqui trechos do capítulo em que ambos faziam o último trajeto para destruir o anel e, então, vocês poderão julgar por si mesmos o que digo.

“”Então esse era o trabalho que eu senti que precisava desempenhar quando parti”, pensou Sam: “ajudar o Sr. Frodo até o último passo e depois morrer junto com ele? Bem, se esse era o trabalho, é melhor que eu o faça. Mas eu gostaria imensamente de rever Beirágua, e Rosinha Villa e seus irmãos, e o Feitor e Calêndula e todos eles. Não posso conceber a idéia de que Gandalf tenha enviado o Sr. Frodo nessa missão se não houvesse nenhum fiozinho de esperança de ele voltar algum dia. As coisas todas deram errado quando ele caiu em Moria. Gostaria que aquilo não tivesse acontecido. Ele teria feito algo.”

Mas no momento em que a esperança morria em Sam, ou parecia morrer, ela se transformou em uma nova força. O rosto simples do hobbit ficou austero, quase cruel, no momento em que sua disposição se endureceu, e ele sentiu um frêmito percorrer-lhe pernas e braços, como se tivesse se transformado em alguma criatura de pedra e aço, que não poderia ser subjugada nem pelo desespero, nem pelo cansaço, nem por milhas infindáveis de terra desolada. Com um novo senso de responsabilidade, trouxe os olhos de volta para a terra que o rodeava, estudando o próximo movimento. Quando a luz aumentou um pouco ele viu, para a sua surpresa, que o que a certa distância parecera uma planície ampla e disforme era na realidade uma região irregular e esboroada. De fato, toda a superfície das planícies de Gorgoroth estava salpicada de grandes buracos, como se, quando ela ainda era uma região coberta de lama mole, tivesse sido atingida por uma chuva de raios e pedras arrojadas por enormes fundas. Os buracos maiores eram contornados por bordas de rocha quebrada, e largas fissuras corriam deles em todas as direções. Era uma região onde seria possível se esgueirarem de esconderijo em esconderijo, sem que ninguém os visse, exceto os olhos mais atentos: possível pelo menos para quem fosse forte e não precisasse ter pressa. Para os famintos e exaustos, que tinham muito a andar antes que a vida lhes faltasse, o lugar tinha uma aparência maligna. Pensando em todas essas coisas Sam voltou para o seu mestre. “

Mais um trecho que demonstra o espírito heróico de Sam:

“Frodo se abaixou de novo e começou a cambalear, como se o esforço renovado tivesse exaurido as forças que lhe restavam. Na última parada, ele foi ao chão e disse:

— Estou com sede, Sam — e não falou mais nada.

Sam lhe deu um gole de água; agora só restava mais um gole. Ele mesmo ficou sem, e agora, quando mais uma vez a noite de Mordor se fechava sobre eles, atravessando todos os seus pensamentos lhe chegava a lembrança de água, e cada riacho ou rio ou fonte que vira na vida, sob as sombras verdes de salgueiros ou faiscando ao sol, dançava e se encrespava para seu tormento atrás da cegueira de seus olhos. Sentia a lama fresca nos pés que chapinhavam no lago em Beirágua, com Jolly Villa, Tom e Nibs, e a irmã deles, Rosinha. — Mas isso foi há anos – suspirou ele. — E num lugar muito longe. O caminho de volta, se houver algum, passa pela Montanha. Não conseguiu dormir, e discutia consigo mesmo. — Bem, vamos agora, fizemos melhor do que você esperava — disse ele com firmeza. — Pelo menos começamos bem. Calculo que tenhamos vencido metade da distância antes de pararmos. Mais um dia e terminaremos. — E então parou. — Não seja tolo, Sam Gamgi — chegou-lhe uma resposta na sua própria voz. — Ele não conseguirá prosseguir mais um dia desse jeito, se é que vai conseguir se mover. E você não pode continuar por muito tempo dando-lhe toda a água e a maior parte da comida.

— Ainda posso caminhar um longo trecho, e é o que vou fazer.

— Para onde?

— Para a Montanha, é claro.

— Mas e depois, Sam Gamgi, e depois? Quando você chegar lá, o que vai fazer? Ele não vai ser capaz de fazer coisa alguma por si mesmo. Para sua decepção, Sam percebeu que não tinha uma resposta para isso. Não tinha nenhuma idéia clara. Frodo não lhe dissera muito sobre sua missão, e Sam só sabia vagamente que o Anel precisava de alguma forma ser atirado ao fogo. — As Fendas da Perdição — murmurou ele, com o velho nome surgindo em sua mente. — Bem, se o Mestre sabe como encontrá-las, eu não sei.

— Aí está! — veio a resposta. — É tudo inútil. Ele mesmo o disse. Você é o tolo, continuando a ter esperanças e se esforçando. Vocês poderiam ter-se deitado e dormido juntos há muitos dias, se você não tivesse sido tão teimoso. Mas vai morrer do mesmo jeito, ou em condições piores. É melhor se deitar e desistir de tudo. Nunca vai chegar ao topo, de qualquer forma.

— Vou chegar lá, mesmo que deixe tudo, exceto meus ossos, para trás — disse Sam. — E eu mesmo vou carregar o Sr. Frodo, mesmo que isso arrebente minhas costas e meu coração. Então, pare de discutir!”

e mais um trecho

“— Agora vamos! Agora, para o último arranque! — disse Sam, esforçando-se para se levantar. Inclinou-se sobre Frodo, despertando-o com delicadeza. Frodo resmungou, mas com um grande esforço de vontade levantou-se vacilante; em seguida caiu sobre os joelhos outra vez. Ergueu os olhos com dificuldade até as escuras encostas da Montanha da Perdição que assomava acima dele, e então penosamente começou a avançar arrastando-se com pés e mãos.

Sam olhou para ele e chorou em seu intimo, mas nenhuma lágrima chegou-lhe aos olhos secos e ardidos.

— Eu disse que o carregaria, mesmo que arrebentasse as costas — murmurou ele —, e é isso que vou fazer!

— Venha, Sr. Frodo! — gritou ele. — Não posso carregar a coisa em seu lugar, mas posso carregá-lo junto com ela. Então vamos subir! Venha, Sr. Frodo, meu querido! Sam vai lhe dar uma carona. É só dizer para onde ir, e ele irá.

Assim que Frodo agarrou-se às suas costas, deixando os braços com folga ao redor do seu pescoço, e prendendo as pernas com firmeza sob seus braços, Sam levantou-se com dificuldade; então, para seu espanto, sentiu que o fardo era leve. Temera mal ter forças para carregar apenas o mestre, e além disso esperara precisar dividir o terrível peso do maldito Anel. Mas não foi assim. Talvez porque Frodo estivesse tão exausto por suas longas dores, pelo ferimento de faca, e pelo ferrão venenoso, além da tristeza do medo e de tanto tempo vagando sem um lar, ou talvez porque algum dom de força final lhe fora concedido, Sam levantou Frodo tão facilmente como se estivesse carregando de cavalinho uma criança hobbit, em alguma brincadeira nos prados ou campos de feno do Condado. Respirou fundo e partiu.”

E então, após todo o esforço sobre-humano que Sam fez, eis que finalmente eles chegam ao seu destino e isso aconteceu:

“A luz irrompeu outra vez, e lá, na borda da fissura, na própria Fenda da Perdição, estava Frodo, negro contra o clarão, tenso, ereto, mas imóvel como se tivesse sido transformado em pedra.

— Mestre! — gritou Sam.

Então Frodo se mexeu e falou com uma voz clara, na realidade com uma voz mais clara e poderosa do que Sam jamais o ouvira usar, e que se erguia acima da pulsação e dos abalos da Montanha da Perdição, retumbando no teto e nas paredes.

— Cheguei — disse ele. — Mas agora minha escolha é não fazer o que vim aqui para fazer. Não vou realizar este feito. O Anel é meu! — E de repente, colocando-o no dedo, desapareceu da visão de Sam. Sam abriu a boca assombrado, mas não pôde gritar, pois naquele momento muitas coisas aconteceram.”

Eu não vou dizer exatamente que coisas aconteceram pois quase todos sabem, mas o que me interessa é que, mesmo traído, Sam reagiu desta maneira:

“— Mestre! — gritou Sam, caindo de joelhos. Em meio a toda aquela ruína do mundo, naquele momento ele só sentiu alegria, uma grande alegria.

O fardo se fora. Seu mestre se salvara; voltara a si de novo, estava livre. E então Sam viu a mão mutilada, sangrando.

— Sua pobre mão! — disse ele. E não tenho nada que sirva como atadura, ou que possa confortá-la. Eu preferiria dar-lhe uma das minhas mãos inteira. Mas agora ele se foi, e está além de qualquer alcance. Ele se foi para sempre.

— Sim — disse Frodo. Mas você se lembra das palavras de Gandalf: Até mesmo Gollum pode ter ainda algo afazer? Se não fosse por ele, Sam, eu não poderia ter destruido o Anel. A Demanda teria sido em vão, no fim de tanta amargura. Então vamos perdoá-lo! Pois a Demanda está terminada, e com sucesso, e tudo está acabado. Estou contente por tê-lo comigo. Aqui, no fim de todas as coisas, Sam.”

Eu estou triste, pois eu não sou Sam. Eu sou Frodo. Não sou o herói que carrega seu mestre. Eu sou aquele que carrega o fardo e sucumbe à ele. Sou quem carrega pra sempre a cicatriz de uma maldição que eu não escolhi. Ao invés de repouso e descanso, quando voltar ao lar, encontrarei somente uma sombra do que deveria ser. No final, o que eu sempre acreditei que fosse ser Frodo falando-me que eu precisava ser um e inteiro por muito tempo — que eu não posso ficar dividido — não é o que realmente acontecerá. Eu sou Frodo, dizendo à quem eu abandono por causa das minhas cicatrizes para ser feliz e inteiro. Sou eu que diz:

“— Qual é o problema, Sr. Frodo? — perguntou Sam.

— Estou ferido — respondeu ele — estou ferido; isso nunca vai sarar.”

E sou eu quem dirá:

Talvez me espere noutra esquina

 Porta secreta ou nova sina;

 Embora sempre vão passando

 Virá enfim o dia quando

 Sendas secretas seguirei

 Sem sol, sem lua eu partirei.”

E falarei à Sam, aquele que fez tanto pra me proteger:

“— Aonde o senhor vai, Mestre? — exclamou Sam, embora finalmente percebesse o que estava se passando.

— Para os Portos, Sam — disse Frodo.

— E eu não posso ir.

— Não, Sam. Pelo menos não por enquanto, não além dos Portos. Embora você também tenha sido um Portador do Anel, mesmo que por pouco tempo. O seu tempo pode chegar. Não fique muito triste, Sam. Você não pode sempre ficar dividido em dois. Terá de ser um e inteiro, por muitos anos. Ainda tem muito para desfrutar, para ser e para fazer.

— Mas — disse Sam, com as lágrimas brotando em seus olhos achei que o senhor também ia desfrutar o Condado, por muitos e muitos anos, depois de tudo o que fez.

— Eu também já pensei desse modo. Mas meu ferimento foi muito profundo, Sam. Tentei salvar o Condado, e ele foi salvo, mas não para mim. Muitas vezes precisa ser assim, Sam, quando as coisas correm perigo: alguém tem de desistir delas, perdê-las, para que outros possam tê-las. Mas você é meu herdeiro: tudo o que tive e poderia ter tido lhe deixo. E também você tem Rosa e Elanor; e o menino Frodo virá, e a menina Rosinha; e Merry, Cachinhos Dourados e Pippin, e talvez ainda outros mais que eu não consigo ver. Suas mãos e suas atenções serão necessárias em todo lugar. Você será o Prefeito, é claro, enquanto quiser ser, e o jardineiro mais famoso da história; e você lerá coisas no Livro Vermelho, e manterá viva a memória da era que se passou; assim as pessoas se lembrarão do Grande Perigo e amarão mais ainda sua terra querida. E isso o manterá tão ocupado e feliz quanto alguém pode estar, enquanto prosseguir a sua parte da História.”

Eu queria ser Sam. Eu queria ser uma árvore alta e frondosa, com galhos que dessem frutos e que servissem de abrigo à pássaros, mas me foi pedido que me contentasse em ser o que sou, um arbusto. Estou sendo podado e nesse momento dói. Sinto que é compreensível que doa, pois eu não estou acostumado a poda. Porém, o momento chegou que eu preciso escolher. Eu espero escolher corretamente e sentir paz. Talvez, se eu escolher eu consiga receber o único consolo que Frodo recebeu.

“Então Frodo beijou Merry e Pippin, e por último Sam; depois embarcou; as velas foram içadas, o vento soprou e lentamente o navio se afastou ao longo do estuário comprido e cinzento; e a luz do frasco de Galadriel que Frodo carregava faiscou e se perdeu. E o navio avançou para o Alto Mar e prosseguiu para o oeste, até que por fim, numa noite de chuva, Frodo sentiu uma doce fragrância no ar e ouviu o som de um canto chegando pela água. E então teve a mesma impressão que tivera no sonho na casa de Bombadil; a cortina cinzenta de chuva se transformou num cristal prateado e se afastou, e Frodo avistou praias brancas e atrás delas uma terra vasta e verde sob o sol que subia depressa.”

Pode ser, então, que finalmente possa eu ser curado e feito completo. Até então, não posso desfrutar do Condado que salvei, não posso desfrutar do lar que farei para mim mesmo.

Não existe ninguém para carregar-me. Onde está você, Samwise Gamgi?

Coisas que eu preciso desembuchar.

Primeiro, não vou fazer mais Medicina. Estava na dúvida por algum tempo, já decidi que não. Algumas pessoas sabem, outras não.

Segundo, em relação às minhas crenças: acredito em Deus, Jesus Cristo, Bíblia e Livro de Mórmon, primeira visão e templo. O resto eu não sei mais.

Terceiro, ou eu decido esquecer o passado ou eu engulo e sofro calado sem reclamar. Nenhum vai me fazer feliz. Alguém apresenta uma alternativa?

 

Minha vida está toda cheia de escolhas dificeis… Medicina ou pesquisa? Crer ou não crer? Aceitar-me ou renegar-me? Ser solteiro (pra sempre) ou tentar amar de novo? Perdoar ou guardar? Ser inteiro ou dividido? Se só fosse mais fácil… se eu só visse uma alternativa…

Adeus.

“A morte é o caminho para o extraordinário” Filme A fonte

Lembro-me hoje das lições de antropologia que tive há quase um ano. Não, não lembro tanto das aulas sobre costumes tribais, laços de família, ou religiosidade. Hoje lembro de um aspecto um tanto quanto esquecido daquele curso, os ritos de passagem.

Ritos de passagem são acontecimentos ritualísticos que marcam o progresso de uma criança para a vida adulta. Como regra, esses ritos são marcados pela separação do grupo anterior, sacrifício dos pertences e aparência passados, e a adoção de uma nova vida adulta. Esses três elementos estão presente em todos os ritos de passagem em qualquer cultura que nosso mundo teve e tem. Através de ritos de passagem os membros de uma sociedade podem saber qual o lugar ao qual eles pertecem. Em meu ponto de vista, no entanto, esses ritos trazem um aspecto mais profundo que esse. Ritos de passagem de toda e qualquer cultura significam somente uma coisa: a oportunidade de progredir.

A morte é um rito de passagem para a pessoa deixando nossa presença como também para os que ficam.

Hoje eu escrevo sobre morte pois é algo importante para mim e que nunca aceitei ou entendi.

Hoje eu escrevo sobre morte em respeito à minha tia Cris.

Para a pessoa que passa pelo rito da morte uma nova existência descortina-se como um leque. A pessoa é separada dos que a aceitavam, amavam, e mantinham conviência. Ela deixa para trás, sacrifica, tudo que era e é – prova maior disso é deixar o corpo que recebeu todos os estímulos de uma vida rica e complexa. A pessoa adota um novo aspecto que para muitos pode ser o de retornar à Terra, viajar a um mundo espiritual, dormir, ou mesmo voltar a um ciclo eterno de morte e vida. Não importa necessariamente a visão que eu ou você temos do que acontece com a pessoa que passa por esse rito; o que realmente importa é que esse indivíduo que teve uma vida, história, sentimentos, erros, acertos, felicidades, tristezas, epifanias, dúvidas, mágoas, aceitações, e outros aspectos de uma existência mortal deixa de lado o que conhece e parte para uma existência diversa, incompreensível para nós. A morte é um rito de passagem para aqueles que abandonam o conhecido para seguir o caminho de toda a carne.

No entanto, a morte é também um rito de passagem para aqueles que ficam. Uma nova existência descortina-se para aqueles que permanecem. Os que ficam são separados de esposo/a, mãe, pai, irmão, irmã, familiares, amigos, conhecidos, inimigos para permanecerem em um estado temporário de tristeza, confusão, solidão, e raiva. Os que ficam são obrigados a sacrificar a companhia de um ser humano semelhante a si mesmos, o convívio e intimidade de alguém à quem dantes eram tão próximos, e, talvez mais importante que qualquer outra coisa, obrigados a sacrificar seus próprios desejos, sonhos, vontades, e aspirações (afinal, ninguém aceita a eminência da morte de alguém prontamente, desejamos que a pessoa continue conosco). A morte de alguém humilha os que ficam, deixa-os ao pó e relembrá-lhes que na verdade suas vidas são somente um momento dentro uma história muito longa. Finalmente, os que ficam são obrigados a retornar a suas vidas sem um real entendimento do que acontecerá com aquele que partiu – os que ficam regressam às suas vidas mudados eternamente. Resta aos que ficam continuar vivendo com o novo papel que o destino lhes reservou, a continuação sem respostas.

Contudo, os ritos de passagem nunca significam o fim. Pelo contrário, eles representam o começo. A morte, como um rito de passagem, representa o começo de algo extraordinário. A morte significa a oportunidade de progredir, pois o indivíduo somente pode progredir após passar pelo rito, adentrar as portas do desconhecido e continuar a viver – independente de qual tipo de existência estamos falando. Morte significa progresso. A dor de perder alguém significa amar mais profundamente quem está próximo. O sacríficio da convivência com quem se foi significa abrir espaço em si mesmo para viver uma vida mais rica. Morte significa abandonar os sentidos de uma vida mortal para enriquecer a vida dos outros, é um sacríficio belo para aqueles que amamos.

Eu vejo a morte como um dente-de-leão que após a chuva cresce, desenvolve, abre-se, seca, e morre. Porém, suas sementes voam e tocam lugares que o primeiro dente-de-leão nunca pode tocar antes.

Tia Cris, não fomos muito próximos, porém eu sei que por causa da tua morte muitas sementes irão ao vento e tocarão pessoas e corações que antes tu não poderia antes ter tocado.

Obrigado por me fazer passar por mais esse rito de passagem e me dar a oportunidade de progredir.

Fica com Deus.

O Último Semestre!

Hoje eu comecei o meu último semestre no LDS Business College. Até parece que foi há alguns dias atrás que eu vim para cá, mas foram dois anos. Eu gostaria de escrever algumas coisas sobre aulas que eu tive, experiências por que passei, e principalmente, pontos de vista que criei.

Então, vamos começar do começo…

Esse semestre eu terei aulas em: Business Law and Ethics, Calculus, Public Speaking, Information Systems for Businesses, and Environmetal biology.

Business Law and Ethics traduzido para o português siginifica Leis de Negócios e Etica. O que será que isso significa? Não sei. Tenho certeza que será uma aula chata que eu nunca mais vou me preocupar em tentar me lembrar do que eu aprendi. Porém, no último semestre eu aprendi que não importa o quão inútil a aula possa parecer para mim no momento, um dia eu usarei o conhecimento dessa aula em minha vida. Interessante, não é? Mesmo assim, eu não sei se estou tão animado para ter essa aula.

No mesmo caminho de business, eu vou ter uma aula de Sistemas de Informação com Enfase em negócios. Mais uma vez, eu não sei ao certo o porquê de eu estar tomando essa aula. Vai ser uma chatice. Vou ter que aprender sobre bancos de dados e como fazer um website para uma empresa ficticia. Qual proveito eu vou tirar disso em minha vida? Será que um dia eu, no meu maravilhoso consultória de psiquiatria/hospital psiquiátrico vou precisar de noções de negócios, marketing, e sistemas de informação? Será que eu realmente vou precisar entender essas coisas de dinheiro? Hm… Creio que não (estou sendo sarcástico, caso você não tenha percebido).

Mas as aulas que eu estou realmente interessado agora são as aulas mais gerais… Aula de Discurso, Calculo, e Biologia Ambiental. (ok, eu não estou tão interessado na aula de biologia ambiental) Por incrível que pareça, essa oportunidade de estudar os Estudos Gerais me ajudou a perceber que eu gosto de ciência exatas muitos mais que sociais. Quero dizer, eu ainda adoro ler os livros de História do mundo, mas nada melhor que uma ciênciazinha exata para te colocar no rumo seguro da infabilidade novamente.

No verão eu tive uma aula de Estatística. Acredite se quiser… Eu amei aquela aula. Ela foi instrutiva! Me deu uma noção enorme de como pesquisas são feitas, estudos criados, e ciência posta à prova. Hoje eu entendo o que significam pesquisas, dados, e todas essas coisas que a gente nem se importa… O quão importante é para a Medicina uma pesquisa significative e bem-feita! Um dia eu vou fazer a minha própria pesquisa de Neurociencia e vou revolucionar o mundo, Muhauheaueaheauheaea. Considerando que eu amei Estatística e Álgrebra de Faculdade, eu mudei minha idéia de que Matemática não é o melhor para mim…

Mudei tanto que resolvei pegar uma aula de Cálculo sem precisar. Bem, eu vou precisar para Neurociencia, mas não preciso para me formar aqui no LDS Business College. Essa aula de Cálculo vai me ajudar quando eu for para BYU e tiver aquelas aulas de Física 1, 2, e 3. Estou bem animado para aprender o que são esses temidos conceitos alienígenas de cálculo como limites, integrais  e derivadas.

Bem, esse é o meu semestre. No próximo post eu vou escrever sobre algumas das minhas visões de mundo que mudaram. Uma delas é como eu vejo o que eu quero do meu futuro e o que vou fazer dele.

Beijo, meus amigos! Até amanhã!

Tão Difícil Deixar Ir…

É muito difícil deixar pessoas que tu ama partir para longe de ti. Seja ver a morte de alguém querido, um filho crescendo, ou uma pessoas que tu amou – mesmo que por pouco tempo – se afastando de ti para poder ser feliz. Separações nunca são fáceis, mas mais difíceis que as separações é o vazio que elas deixam em nosso peito.

Todos crescemos… Ás vezes crescemos muito e não encaixamos mais nas pessoas que amamos. E aí sofremos pois não queríamos ter crescido.